Campanha “Homens em Movimento” mobiliza mais de 20 países e propõe ações transformadoras para combater a violência de gênero a partir da mudança das normas masculinas.
Em um contexto de aumento alarmante dos casos de violência doméstica em todo o mundo, agravados pela pandemia e por crises sociais persistentes, o Instituto Promundo, em colaboração com a iniciativa internacional MenEngage, lançou a campanha global “Homens em Movimento: Unindo Forças pelo Fim da Violência de Gênero”.
Com presença em mais de 20 países, a campanha tem como foco um ponto crucial, muitas vezes esquecido nos debates públicos: o papel dos homens na prevenção da violência de gênero. Em vez de retratar os homens apenas como parte do problema, a campanha busca mobilizá-los como parte ativa da solução — por meio da educação, escuta, autorreflexão e transformação das normas de masculinidade.
“Não basta dizer que os homens não devem bater. Precisamos ensiná-los a lidar com emoções, resolver conflitos sem violência e cultivar relações baseadas no respeito e na igualdade”, afirma Tatiana Moura, diretora executiva do Promundo-Brasil.
Um problema estrutural que exige ação coletiva
De acordo com a ONU Mulheres, 1 em cada 3 mulheres no mundo já sofreu algum tipo de violência física ou sexual por parte de um parceiro íntimo. No Brasil, dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que, em 2023, houve mais de 245 mil casos de violência doméstica registrados, sendo a grande maioria perpetrados por homens conhecidos das vítimas.
A campanha do Promundo parte de uma constatação clara: o combate à violência de gênero não pode ser feito apenas com medidas punitivas. É preciso atuar nas raízes do problema — e isso inclui transformar as referências masculinas de poder, controle e dominação que ainda são valorizadas na cultura popular, nas escolas, nas mídias e até nas famílias.
Como funciona a campanha?
A campanha “Homens em Movimento” combina ações de mobilização, educação e articulação comunitária:
Rodas de conversa e oficinas com homens e adolescentes, em escolas, centros comunitários e instituições públicas;
Formação de educadores e lideranças sociais com metodologias de gênero e prevenção da violência;
Campanhas de mídia digital com vídeos, depoimentos e materiais educativos acessíveis;
Produção de guias e manuais para replicação da campanha em outros territórios.
“Trabalhamos com os homens sem condescendência, mas com firmeza e empatia. Encaramos o desafio de ajudá-los a repensar o que significa ser homem em uma sociedade que naturaliza o machismo”, explica Leonardo Sakamoto, consultor em direitos humanos parceiro do projeto.
Uma aliança internacional pelo fim da violência
A campanha é coordenada por Promundo em parceria com a Rede MenEngage, um coletivo global que reúne mais de 700 organizações em 70 países comprometidas com masculinidades transformadoras e justiça de gênero.
No Brasil, além das ações presenciais, a campanha também atua junto a governos locais e instituições para influenciar políticas públicas de enfrentamento à violência baseada em gênero, incluindo formação de agentes públicos, ampliação de serviços de apoio às vítimas e programas de reeducação de agressores.
Um convite à transformação
“O silêncio dos homens alimenta a violência. Quando eles se colocam em movimento, quebram esse ciclo e abrem espaço para uma nova cultura de cuidado, escuta e igualdade”, conclui Tatiana Moura.
A campanha segue ativa durante todo o ano de 2025, com eventos programados em cidades como Brasília, Recife, Salvador e São Paulo, além de articulações internacionais em países da América Latina, África e Europa.








