Novo relatório do Promundo revela dados preocupantes e mostra como a transformação das masculinidades começa dentro de casa.
Quando pensamos em paternidade no Brasil, o que vem à sua mente? Um pai presente nas consultas médicas? Que prepara o café da manhã, leva na escola e brinca antes de dormir? Ou aquele que “ajuda quando pode”, mas ainda é visto como coadjuvante na vida dos filhos?
Essas perguntas estão no centro do novo relatório lançado pelo Instituto Promundo: “A Situação da Paternidade no Brasil 2019 – Tempo de Agir”. O estudo é um chamado direto à sociedade: se queremos justiça de gênero, precisamos transformar a forma como os homens se relacionam com o cuidado.
O que os dados mostram?
O relatório traz dados preocupantes:
Apenas 55% dos pais dão banho em seus filhos com frequência;
Só 46% cozinham para os filhos regularmente;
Menos de 4 em cada 10 pais levam os filhos a consultas médicas.
Esses números reforçam um padrão: o cuidado ainda é visto como “responsabilidade feminina”, enquanto os homens permanecem, muitas vezes, à margem da criação cotidiana.
Mas há uma boa notícia: 87% dos pais entrevistados dizem que gostariam de participar mais da vida dos filhos. O que falta, então?
Quais são os obstáculos?
O relatório aponta vários entraves:
Licença-paternidade curta: Apenas 5 dias no regime geral, insuficientes para criar vínculo real com o recém-nascido.
Cultura machista: A ideia de que cuidar é “coisa de mulher” ainda é muito presente.
Falta de apoio institucional: Profissionais da saúde e da educação muitas vezes não reconhecem os homens como cuidadores legítimos.
Essas barreiras criam um ciclo em que os homens se afastam do cuidado — e as mulheres continuam sobrecarregadas, mesmo quando também trabalham fora de casa.
“A paternidade é uma janela poderosa de transformação das masculinidades. Quando os homens cuidam, algo muda – neles, nas crianças e na sociedade”, afirma Daniel Costa Lima, coordenador de pesquisa do Promundo.
O que podemos (e devemos) fazer?
O relatório não se limita a denunciar o problema — ele propõe caminhos concretos para a mudança. Entre as ações recomendadas, estão:
Ampliar a licença-paternidade e criar incentivos para que os pais a utilizem;
Educar meninos e meninas desde cedo para que o cuidado seja visto como responsabilidade de todos;
Formar profissionais da saúde e da educação para acolher e incentivar a participação masculina;
Criar políticas públicas e comunitárias que envolvam os pais de forma ativa e contínua.
“Cuidar é humano. E aprender a cuidar transforma não só quem recebe, mas também quem oferece esse cuidado”, reforça Tatiana Moura, diretora executiva do Promundo-Brasil.
O tempo é agora
O nome do relatório não é por acaso. É tempo de agir. Tempo de deixar para trás estigmas ultrapassados e construir novas formas de viver a masculinidade – com mais empatia, presença e afeto.
Para os homens, é uma chance de se reconectar com seus filhos, suas famílias e consigo mesmos. Para a sociedade, é um passo essencial rumo à equidade de gênero.
Clique aqui e baixe o relatório completo gratuitamente
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