Relatório revela que é necessário estabelecer metas globais e ações imediatas para que os homens assumam 50% das tarefas domésticas e de cuidado no mundo

No dia 9 de junho, Promundo lançou a edição de 2017 do relatório Situação da Paternidade no Mundo: Tempo de Agir, uma publicação MenCare, revelando o que paralisou o avanço da equidade de gênero no mundo e apresentando uma agenda ousada para que homens e meninos realizem 50% das tarefas de cuidado não pagas no mundo.

Pela atual taxa de progresso global, levará cerca de 75 anos para que mulheres e homens alcancem salário igualitário pelo mesmo trabalho. Alcançar representação igualitária em governos, negócios e outras esferas de poder poderia demorar ainda mais.

O segundo relatório Situação da Paternidade no Mundo (link em Inglês) foi desenvolvido a partir de cerca de 100 estudos e relatórios de pesquisa, de quase todos os países onde haja dados disponíveis. Enquanto publicação MenCare: Uma campanha global de paternidade, defende um objetivo global e planos de ação nacionais – com base na Agenda 2030 e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) – para que homens e meninos realizem 50% das tarefas domésticas não remuneradas.

Mesmo agora, que os homens estão contribuindo mais do que costumavam, globalmente, as lacunas entre as contribuições das mulheres e dos homens persistem. Em 20 países, a contribuição masculina para tarefas domésticas e cuidados infantis aumentou apenas uma média de 6 horas por semana em 40 anos. Essas lacunas, que são maiores nos países de baixa e média-baixa renda, não só atrasam as mulheres em seus empregos remunerados e trajetórias profissionais, mas também limitam o desenvolvimento social e econômico mais amplamente, bem como o avanço em direção à equidade de gênero.

Gary Barker, presidente e CEO do Promundo, co-coordenador global da MenCare, diz:

“A mudança radical e transformacional na divisão do cuidado não remunerado deve ser um objetivo global. Qualquer coisa menos é desigualdade. Em um clima político global que está enfrentando uma reviravolta conservadora em torno dos direitos sexuais e reprodutivos e dos serviços de apoio governamental, o tempo de agir é agora.”

O relatório afirma que muitos homens querem estar mais envolvidos na vida de seus filhos. Mesmo em países onde o envolvimento dos homens nas tarefas de cuidado é limitado, como os do Oriente Médio e do Norte da África, metade ou mais homens entrevistados disseram que passaram muito pouco tempo com seus filhos por causa de seu trabalho. Nos Estados Unidos, 46% dos pais disseram que não estavam passando tempo suficiente com seus filhos, em comparação a 23% das mães. Para aqueles homens que já estão assumindo mais seu papel de cuidar, a Situação da Paternidade no Mundo revela que, muitas vezes, as circunstâncias inesperadas da vida – situações que não apresentam alternativas – os conduziram a seus novos papéis domésticos ou profissionais.

Um grande impedimento para o avanço, segundo o relatório, são as normas de gênero que estereotipam os cuidados como “trabalho de mulheres”. Em 59 países, 45% dos homens e 35% das mulheres, em média, concordaram com a afirmação: “Quando os empregos estão escassos, os homens deveriam ter mais direitos sobre um emprego do que as mulheres.” As realidades econômicas e de trabalho, como as diferenças salariais de gênero e as normas que discriminam a flexibilidade ou a licença, conduzem ainda mais a uma divisão de trabalho desigual no lar e no emprego. Finalmente, as leis e políticas em torno da igualdade de remuneração, tributação e provisão pública de assistência à infância, licença parental e proteção social muitas vezes reforçam a distribuição desigual dos cuidados.

Wessel van den Berg da Sonke Gender Justice, organização co-coordenadora da MenCare, diz:

“O cuidado não remunerado das mulheres, atualmente, está subsidiando os mercados de trabalho em todo o mundo. Agora é a hora de reduzir a dívida que os homens, o setor privado e os Estados têm com mulheres. Além desta questão de igualdade, isso também faz sentido em termos de uso de recursos em longo prazo. O aumento do investimento em cuidados e desenvolvimento focados na primeira infância, juntamente com um quadro de licença parental igualitária e não transferível, reduz os gastos de longo prazo para o bem-estar social.”

O relatório destaca recomendações específicas para a ação, incluindo sua principal recomendação política para licença remunerada, igualitária e compartilhada entre mães e pais (ou entre outros arranjos de co-cuidadoras/es). Situação da Paternidade no Mundo também destaca acesso a apoio à renda – incluindo redução de pobreza e creches acessíveis e de alta qualidade – e capacitação de pais universalmente disponível como espaços para o progresso.

Situação da Paternidade no Mundo: Tempo de Agir chega dois anos após o primeiro relatório Situação da Paternidade no Mundo, uma análise histórica da paternidade lançada em junho de 2015 na sede das Nações Unidas em Nova York, Estados Unidos e em outras dez cidades no mundo, inspirando incidência política e iniciativas com parceiros MenCare em mais de 40 países.

Para ler o relatório completo, visite sowf.men-care.org (link em Inglês). Junte-se à conversa online usando #WorldsFathers.

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