Programa H

Pesquisa

Para desenvolver o currículo e a abordagem do Programa H (H de homens ou hombres em espanhol), o Promundo realizou questionários domiciliares e pesquisas qualitativas com homens jovens para identificar atitudes equitativas de gênero e os fatores que permitem meninos e homens jovens adotarem atitudes e comportamentos semelhantes. Organizações parceiras em mais de 20 países do mundo têm adaptado as atividades do Programa H, adequando-as de acordo com o contexto e resultados de pesquisas locais.

Intervenção

Atividades de educação em grupo que promovem a reflexão e o questionamento sobre normas rígidas de masculinidade ajudam os jovens a mudar atitudes não equitativas, dar mais atenção sua própria saúde e a adotar comportamentos mais saudáveis de gestão de conflitos.

Campanhas

Complementando a metodologia do Programa H, o desenvolvimento de campanhas lideradas por jovens incentivam o protagonismo juvenil e a disseminação de mensagens para mudanças sociais positivas nas comunidades.

 

O Programa H (H de homens e hombres, em espanhol) foi lançado em 2002 pelo Promundo e organizações parceiras (Instituto Papai, ECOS, Salud y Género) e já foi adaptado em mais de 20 países. Dirigido a homens jovens com idades compreendidas entre 15 e 24 anos, visa promover a reflexão sobre normas rígidas associadas à masculinidade. Baseia-se em várias pesquisas realizadas com homens jovens no Brasil com atitudes equitativas de gênero, que revelaram que a adoção destas atitudes tinha sido influenciada pela presença de pares que apoiavam a igualdade de gênero, experiências pessoais de sucesso associadas à igualdade de gênero e a existência de modelos masculinos positivos.

A metodologia do Programa H combina oficinas educativas com campanhas de sensibilização desenvolvidas por jovens que visam transformar normas de gênero, tais como o uso de contraceptivos ou a divisão de tarefas domésticas. Para complementar estas atividades, o Promundo disponibiliza o desenho animado sem falas Minha Vida de João. O manual do Programa H possui cerca de 70 atividades que podem ser utilizadas de acordo com as necessidades das comunidades. Em 2014, foi lançado também o manual Programa HMD, que é uma compilação das principais atividades dos Programas H e M, incluindo as ações de promoção da diversidade sexual (representado pela inicial D). Geralmente, os parceiros implementam entre 10 e 16 atividades, uma vez por semana, ao longo de vários meses, juntamente com campanhas de sensibilização comunitária, idealizadas e implementadas pelos próprios jovens.

À medida que as organizações utilizam o Programa H nas suas comunidades, podem usar a escala Gender-Equitable Men (GEM) para analisar as mudanças antes e depois das intervenções e campanhas e, assim, avaliar a sua eficácia. A escala GEM é uma escala de atitudes validada, que foi adaptada e aplicada em mais de 20 contextos, reconhecida como um instrumento eficaz para avaliar atitudes sobre gênero.

Os homens que participaram das atividades do Programa H relataram várias mudanças positivas, incluindo aumento da utilização de contraceptivos, melhorias nos relacionamentos, maior disponibilidade para realizar tarefas domésticas e relativas ao cuidado e menor incidência de assédio sexual e violência contra as mulheres.

O Programa H foi considerado boa prática na promoção da igualdade de gênero e prevenção da violência baseada em gênero pelo Banco Mundial, pela Organização Mundial de Saúde e citado pelo UNICEF e pelas Nações Unidas pela sua eficácia. Foi ainda reconhecido pela Organização Pan Americana de Saúde, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Fundo de População das Nações Unidas. Foi adotado oficialmente pelos Ministérios da Saúde no Brasil, México, Chile, Croácia, entre outros.

Reconhecendo a necessidade de trabalhar com o empoderamento de mulheres jovens em paralelo com os homens, e baseando-se nas contribuições dadas pelas parceiras dos participantes no Programa H, o Programa M (M de mulheres e mujeres, em português e espanhol) foi lançado em 2006. O Programa M procura incentivar a reflexão sobre normas de gênero rígidas e o empoderamento entre mulheres jovens. O Promundo e parceiros recomendam a adoção de ambas as abordagens e a inclusão de debates sobre diversidade sexual e homofobia durante a realização das oficinas.

As escolas têm tido um papel central na implementação dos Programas H e M, proporcionando ambientes receptivos através dos quais estas abordagens podem ser elevadas em escala institucionalmente. No Brasil, o Promundo lançou o Portal Equidade de Gênero nas Escolas com o objetivo de capacitar os professores sobre a metodologia dos Programas H e M através de um ambiente virtual, e na Índia as abordagens do Programa H foram incorporadas em nível governamental, alcançando 25 mil escolas.

Programas Relacionados:

  • Programa M: Dirigido a mulheres, o Programa M centra-se na promoção de papéis equitativos de gênero, no empoderamento feminino, na promoção da saúde sexual e saúde reprodutiva e na promoção da maternidade e do cuidado.
  • Programa D: Pensado como um complemento dos Programas H e M, o Programa D combate a homofobia e promove a diversidade.
  • Portal Equidade de Gênero nas Escolas (PEGE): PEGE disponibiliza ferramentas de capacitação online para professores visando a promoção da equidade de gênero na sala de aula.